Esse é um questionamento comum, evidenciado principalmente pela compreensão errônea de que a teoria da evolução afirma que o ser humano veio do macaco.

A fila indiana da evolução humana, liderada pelo Homo sapiens e iniciada por um primata pequeno semelhante a um chimpanzé, o Australopithecus (ou mesmo um chimpanzé verdadeiro em algumas das suas variações), é um exemplo claro da permanência de falsas concepções científicas, disseminadas na cultura de massa.

evoluimos

Essa ideia de fila, de evolução linear, esconde uma das maiores deturpações da teoria da evolução: a ideia de progresso na história biológica.

A fila indiana é considerada a escalada do mundo orgânico em direção à melhoria e ao aperfeiçoamento, empurrado naturalmente pelo processo evolutivo, um tipo de “evolução” linear e seus degraus de aumento de complexidade.

A partir dessa marcha em linha reta é comum a leitura de transformação de espécies “primitivas”, “inferiores” ou “não evoluídas” em espécies “superiores” ou “evoluídas”.

Essa interpretação errônea é comum nas aulas ou textos de biologia, representando um quadro distorcido do processo evolutivo, centrado na transformação direta de um grupo ‘A’ em um grupo ‘B’, independentemente deles viverem no mesmo período.

É desse raciocínio que provém expressões como “o homem veio do macaco”.

Quando na verdade tanto nossa espécie quanto nossos primos símios vivemos no mesmo horizonte temporal e, portanto, um grupo não pode ter descendido do outro.

Mas então como compreender a evolução?

A melhor maneira de compreender a teoria da evolução, é por meio da abordagem filogenética.

Essa abordagem expressa a noção de evolução ramificada (e não linear), que implica em uma origem única do mundo vivo e sua ramificação posterior.

Isso quer dizer que, a melhor representação do processo evolutivo é por meio de um cladograma.

macaco

O cladograma expressa as relações genealógicas entre as espécies segundo os princípios evolutivos da ancestralidade comum e da descendência com modificação.

Isso significa que, nenhum grupo ou posicionamento de ancestrais deve ser interpretado como ancestral de um táxon disposto “acima” deste na filogenia.

Como não se pode imputar cientificamente (de forma falseável) a condição de ancestral a nenhuma espécie, mesmo estando ela extinta, os ancestrais em cada um dos nós das filogenias são sempre hipotéticos.

Quando se fala da teoria da evolução é importante levar em conta o tempo (as vezes milhares de anos que separam uma grupo de outro) e o espaço geográfico que diferentes grupos viviam.

Então não evoluímos do macaco?

A teoria da evolução não afirma que o homem  veio do macaco.

O homem e o macaco, assim como todos os seres vivos compartilham ancestrais comuns.

Os macacos continuam existindo porque eles são resultados de evoluções do seu ancestral comum com o homem.

O Homo sapiens não é um descendente direto dos chimpanzés ou de algum outro primata moderno, nem mesmo dos Australopithecus os quais, apesar de extintos, também são considerados ramos terminais no cladograma.

Somos uma linhagem dentro do grupo composto por todos os demais primatas, mais proximamente relacionado a outras espécies do gênero Homo (como o Homo neanderthalensis) do que a outras espécies pertencentes a outros gêneros de hominídeos.

Nosso ancestral comum, viveu em solo africano há pelo menos 6 milhões de anos.

Ao longo de milhões de anos a seleção natural agiu sobre diversas mutações que, juntas, transformaram a espécie humana no que ela é hoje.

Outras espécies Homo ao longo do tempo não tiveram sucesso evolutivo, por condições climáticas, concorrência, alimentação, genética e foram extintas.

É importante compreender que, a evolução é um processo constante e ainda atua sobre tantas outras características vestigiais que indicam de onde viemos.

Para quem quiser compreender melhor o processo de evolução humana, recomendo a série de vídeos Como nos Tornamos Humanos (Ep. 1, Ep. 2 e Ep 3).