Você já pensou se fosse possível fazer a desextinção de espécies que já foram extintas?
Pode parecer ficção, mas esta realidade já é possível.
A desextinção (ou “ressurreição biológica”), um campo da biotecnologia, visa recuperar espécies extintas usando técnicas como clonagem, reprodução seletiva e edição genética (CRISPR-Cas9).
Seu objetivo é restaurar a biodiversidade e reequilibrar ecossistemas degradados.
A desextinção não recria espécies idênticas, mas produz “proxies” (substitutos funcionais) com características similares às originais.
Como a desextinção é possível?
Uma das técnicas utilizadas é a clonagem, mas para isso requer DNA intacto de indivíduos recentemente extintos.
Um exemplo é o íbex-dos-pirenéus, clonado em 2003, mas que sobreviveu apenas minutos.
Outra técnica é a reprodução seletiva, que consiste no cruzamento de espécies vivas para ressuscitar traços ancestrais.
Um exemplo desta técnica é o projeto Tauros para recriar o auroque.
E a última técnica possível é por meio da edição genética (CRISPR), na qual é feita a inserção de genes de espécies extintas em organismos vivos próximos.
São exemplos, o mamute-lanoso, os quais genes de resistência ao frio inseridos em elefantes asiáticos e o lobo-terrível, onde 20 genes foram editados em lobos-cinzentos usando DNA fóssil .
Mas qual é a vantagem de trazer de volta espécies extintas?
Um dos principais argumentos é a restauração ecológica, onde espécies “chave” poderiam reequilibrar ecossistemas.
Por exemplo, se mamutes-lanudos fossem reintroduzidos no Ártico, pisoteariam a neve, compactando o solo e reduzindo o degelo do permafrost—uma reserva crítica de carbono.
Ou os tilacinos, que poderiam fazer o controle de populações predadores invasores na Tasmânia, como raposas e gatos selvagens.
Além disso, a desextinção seria também uma reparação ética.
Espécies extintas por ação humana, como o dodô, caçado até sumir em 1662, representam uma dívida moral.
Revivê-las seria um ato de restauração ecológica também.
Outro ponto é o avanço tecnológico para conservação, já que técnicas como CRISPR podem aumentar a diversidade genética de espécies ameaçadas, como por exemplo doninhas-de-patas-pretas, clonadas a partir de tecidos congelados para evitar endocruzamento.
O que contribui também para bancos genéticos criados para desextinção, que preservam DNA de espécies ameaçadas, servindo como “backup” contra extinções futuras.
Mas nem tudo são flores.
Os ecossistemas modernos são diferentes dos que existiam há 10 mil anos e evoluíram na ausência dessas espécies extintas.
Sua reintrodução poderia desencadear efeitos cascata imprevisíveis.
O lobo-terrível, por exemplo, dependia de megafauna herbívora extinta, inexistente hoje.
Além disso, há o risco de organismos revividos podem se tornar invasores em habitats alterados.
Por exemplo uma ave extinta reintroduzida poderia competir com espécies ameaçadas.
Outro ponto desfavorável é que 85% dos habitats de espécies “candidatas” à desextinção (como o dodô) estão degradados ou inexistentes.
E sem nichos ecológicos intactos, as espécies revividas dependeriam de cativeiro.
Além disso, haveria um descompasso evolutivo, espécies revividas teriam genomas estáticos (reconstruídos) e encontrariam ambientes dinâmicos com mudanças climáticas e novos patógenos.
Assim como espécies extintas dependiam de interações ecológicas perdidas, como por exemplo polinizadores específicos, simbiontes microbianos).
Além de que, por exemplos os híbridos, como “mamutes” criados a partir de elefantes não recuperam a diversidade genética original, gerando populações vulneráveis.
Vale a pena?
A desextinção é uma ferramenta poderosa, mas não uma solução mágica, e enfrenta um paradoxo evolutivo: busca reviver espécies do passado em um planeta onde os processos ecológicos e evolutivos seguiram adiante.
Ambientalmente, seu valor depende da existência de nichos funcionais preservados – condição rara no momento.
Por isso, vale a pena se a prioridade for a conservação de espécies ameaçadas e seus habitats, que já possuem adaptações evolutivas ao mundo contemporâneo, vinculando projetos de desextinção à proteção de hábitats e combate ao tráfico de animais .
Como alerta o filósofo Ailton Krenak, “não adianta ressuscitar espécies se tratarmos a Terra como um supermercado”.
A desextinção só terá valor se for parte de um compromisso maior: não apenas reviver o passado, mas proteger o presente.
E você, o que pensa a respeito?
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