Você trabalha biossegurança e bioética com seus alunos?
Muito se fala sobre a importância de aulas práticas e experimentos nas aulas de ciências e biologia, mas pouco se fala sobre os cuidados que isso requer.
Quais cuidados você toma ao realizar uma atividade prática ou experiência com seus alunos?
Quais princípios de biossegurança (medidas para prevenir acidentes) e bioética (reflexão sobre valores morais na ciência) você trabalha com seus alunos?
Recentemente um professor de química foi demitido após quarenta e quatro alunos de uma escola na região serrana do Espírito Santo, compartilharam a mesma agulha para coletar sangue em atividade prática em sala de aula para saber o tipo sanguíneo.
A conduta foi equivocada pois coloca em risco a saúde dos alunos e também antiética por questões legais, de segurança e pedagógicas.
Coletar amostras reais de alunos envolve riscos de contaminação cruzada, mesmo em atividades simples.
Por exemplo, uma picada no dedo para coleta de sangue, se mal executada, pode transmitir doenças virais como HIV, hepatite B ou C, especialmente se houver reutilização de materiais perfurocortantes (como no caso mencionado do professor de química).
Além disso, as escolas normalmente não dispõem de equipamentos de esterilização, kits de descarte seguro ou pessoal treinado para lidar com amostras biológicas humanas, o que aumenta o risco de acidentes.
Amostras de DNA, sangue, saliva, espermatozoides não devem nunca ser coletados dos alunos para uma aula prática, especialmente se forem menores de idade.
São informações pessoais íntimas, uma vez que pode expor detalhes da saúde do aluno (como predisposição a doenças ou alguma anomalia) sem o devido cuidado, ferindo o direito à privacidade.
Assim, sempre que for preparar uma aula prática consulte as normas específicas de sua instituição e legislações locais antes de planejar atividades.
Também teste o experimento antecipadamente para ajustar tempo e materiais, além de construir roteiros claros, com objetivos e etapas ilustradas.
Dependendo o tipo de atividade é importante que os alunos tenham equipamentos de proteção individual como óculos de proteção e luvas.
No momento do planejamento da atividade faça uma análise prévia de riscos.
Que tipo de reação química pode ocorrer? Os alunos mexerão com vidrarias? Material perfurocortante?
Evite grupos muito grande, para que o monitoramento e acompanhamento seja mais tranquilo.
Também é importante estabelecer regras de comportamento como por exemplo, não brincar com objetos, tocar ou misturar substâncias sem orientação, etc.
É preciso treinar os alunos para uso adequado de instrumentos (ex.: bico de Bunsen, pipetas), bem como para manter a bancada limpa e organizada.
Por que bioética e biossegurança são importantes nas aulas
Para além do conhecimento técnico, biossegurança e bioética são pilares para a formação de estudantes conscientes, capazes de conciliar conhecimento científico com responsabilidade social, ambiental e moral.
Ao integrar esses conceitos, a escola não apenas cumpre seu papel educativo, mas também prepara jovens para enfrentar dilemas éticos e práticos em um mundo cada vez mais marcado por avanços tecnológicos e desafios globais.
A integração entre bioética e biossegurança fortalece ainda o protagonismo dos alunos.
Além disso, desenvolvem habilidades como argumentação crítica, empatia e tomada de decisão responsável — competências destacadas na Base Nacional Comum Curricular (BNCC), que orienta a educação brasileira a formar cidadãos capazes de “agir com autonomia e responsabilidade” (Competência Geral 10).
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