As águas-vivas são destaque nos noticiários litorâneos em todos os verões devido a acidentes.

Muitas são as teorias sobre as águas-vivas, mas o que de fato acontece quando tocamos uma água-viva?

Para entender vamos conhecer um pouco sobre a estrutura desses animais.

As águas-vivas são parte do filo Cnidária. Esse nome origina-se do grego “knide”, que significa “urtiga”.

As águas-vivas estão no subfilo Medusozoa do qual no Brasil, são encontradas 347 da classe Hydrozoa, 3 de Cubozoa e 23 de Scyphozoa.

As quatro principais espécies de cnidários ligadas a acidentes com seres humanos no Brasil são os cubozoários: Tamoya haplonema e Chiropsalmus quadrumanus, também conhecidas como águas-vivas e os hidrozoários; Physalia physalis, a caravela, e Olindia sambaquiensis.

Águas-vivas  são chamadas assim devido ao seu corpo gelatinoso constituído em grande parte por água.

Além dessa estrutura básica, possuem células urticantes denominadas cnidócitos.

Os cnidócitos localizam-se por toda a epiderme e alojam-se entre ou dentro das células epiteliomusculares abundantes nos tentáculos.

Cnidócitos são células especializadas que contém uma organela capazes de sair do corpo conhecidos como cnidos.

O tipo mais comum de cnido são as estruturas urticantes chamadas nematocistos.

O interior do cnidócito é preenchido por uma capsula que contém um tubo geralmente pregueado e enrolado, e a extremidade da cápsula (que é orientada para o meio externo) é recoberta por um opérculo ou por flapes semelhantes a pálpebras.

A base ancora-se nas extensões laterais de uma ou mais células epiteliomusculares e também pode associar-se com um terminal neuronal.

O mecanismo de descarga envolve aparentemente uma alteração rápida na pressão osmótica dentro da cápsula.

Sob influência combinada de estímulos mecânicos e químicos, que são inicialmente recebidos e conduzidos pela estrutura da superfície do cnidócito, ocorre possivelmente uma liberação súbita de cálcio no interior da cápsula.

A água avança no interior da cápsula e a pressão intracapsular aumenta.

Essa pressão somada a uma certa tensão intrínseca no interior da própria estrutura capsular, faz com que o pérculo ou os flapes apicais dos cnidos abram-se e o tubo vire-se para fora.

Um nematocisto descarregado consiste de uma capsula e de um tubo em forma de cordão  de comprimento variável.

O tubo ou cordão é comumente armado com espinhos, particularmente ao redor da base, e pode ser aberto ou fechado na ponta.

As variações no arranjo e no comprimento dos espinhos e no diâmetro do tubo dão origem a cerca de 30 tipos de cnidos, que são constantes para as espécies e possuem grande calor para os taxonomistas de cnidários.

Assim como abelhas perdem seus ferrões, os nematocistos e os outros cnidos são utilizados uma única vez.

Forma-se novo cnidocisto a partir das células intersticiais vizinhas.

Mas para que servem essas estruturas todas com nomes difíceis?

Os nematocistos funcionam na captura de presas e muitos podem injetar uma toxina.

O cordão  fica geralmente aberto na ponta e frequentemente se arma com espinhos.

Na descarga, o cordão perfura o seu caminho no interior dos tecidos da presa e injeta uma toxina proteica que tem uma ação paralisante.

Pelo menos em alguns tipos, os espinhos ajudam na punção do tegumento da presa.

Tudo isso que a gente explicou dessa estrutura pode ser visto funcionando no vídeo a seguir

O efeito tóxico dos nematocistos da maioria dos cnidários não é perceptível pelos humanos.

No entanto quando acidentalmente encostamos nas águas-vivas, esses nematocistos  são liberados e causam uma sensação de queimadura dolorosa e uma irritação, que em casos mais graves pode levar até morte.

Importante ressaltar que águas-vivas não atacam pessoas.

Os mecanismos que causam “queimaduras” em nós, servem apenas para a captura de presas e defesa.

Na realidade, o contato com a nossa pele provoca uma reação urticante.

O que fazer em casos de acidentes com águas-vivas?

As medidas de primeiros socorros para acidentes por águas-vivas devem utilizar compressas de água do mar gelada (ou aplicação de bolsas de gel utilizadas para conservar vacinas e soros) para controle da dor.

Banhos de vinagre no local atingido para retirada de toxinas.

O uso de água doce dispara nematocistos íntegros por osmose e aumenta a “queimadura”.

Procure um médico para retirada