Você sabe diferenciar uma cutia, de uma paca e de um preá?
Embora compartilhem algumas semelhanças, como o fato de serem mamíferos e roedores, cada um desses animais tem características únicas que os tornam especiais.
Vamos conhecer um pouco mais?
Cutia: A Colecionadora de Sementes
A cutia é um roedor do gênero Dasyprocta.
São animais adaptados a vida terrestre por uma redução de dedos funcionais e um polegar vestigial, possuem quatro nas patas anteriores e três nas patas posteriores.
Possuem a cabeça e as patas dianteiras sutilmente oliváceas acinzentadas, dorso vermelho escuro para laranja brilhante.
Cobertas por longos pelos lisos, que se projetam posteriormente em uma extremidade e são usualmente amarelo palha ou laranja, na base, esta cor é visível quando os pelos são eriçados.
O topo da cabeça, pescoço e meio do dorso entre as espáduas algumas vezes são escuros, com pelos longos.
As orelhas são pequenas e nuas como a cauda que é quase vestigial.
As fêmeas são maiores do que os machos, marcham levemente agachando e mantendo a cabeça baixa.
Vivem em pares monogâmicos com sua prole em um determinado território, formando casais em períodos de maior disponibilidade de alimentos.
Atingem a maturidade sexual aos seis meses e no período de acasalamento o macho recorre a vários cerimoniais, como lançar jatos de urina na fêmea e vibração da cauda.
A gestação varia de 104 a 120 dias, dão à luz precocemente, parindo de um a dois filhotes, podendo ocorrer até duas gestações por ano.
Os primeiros filhotes, em geral nascem durante abril – maio; existe um estro pós-parto, de forma que os segundos do ano nascem em julho ou agosto.
Como em muitas espécies de roedores, são frugívoras com hábitos escavadores de esconder e procurar reservas de sementes (“scatter – hoardings”) em baixas quantidades em vários locais da sua área de vida, para uso futuro e sobrevivência durante escassez de alimentos.
Esse hábito evita a competição com outras cutias, outros roedores, porcos do mato, antas, emas e como prevenção para a escassez de alimento e dispersão de grandes sementes neotropicais em muitos locais diferentes de seu território.
Assim, quando os frutos se tornam escassos, as cutias passam menos tempo descansando e mais tempo forrageando, procurando por sementes que enterraram anteriormente.
As cutias recuperam cerca de 80% de seus estoques de sementes.
Paca: O roedor noturno
A paca (Cuniculus paca), é o segundo maior roedor da fauna brasileira.
Apresenta corpo robusto e vigoroso, nos machos e fêmeas adultos, o comprimento médio entre o nariz e a ponta da cauda é de 70cm e 60cm, respectivamente e o peso corpóreo varia de cinco a 10kg, podendo chegar até aos 14kg.
Vivem em média cerca de 10 anos.
A fecundidade em vida livre é baixa, mas a sobrevivência dos adultos é alta.
Tem pelagem grossa, apresentando de duas a sete listras longitudinais brancas na região do flanco.
É uma espécie de hábito noturno, e são menos ativas em noites de luar.
A sua distribuição está relacionada com a localização de corpos de água.
As pacas são essencialmente solitárias.
Quase não há interações com espécimes da mesma espécie.
Não apresenta dimorfismo sexual aparente.
Os roedores são mamíferos que apresentam dentes incisivos relevantes, que crescem constantemente causando prognatismo, e consequentemente má oclusão o que pode levar à óbito.
Assim, esses animais têm o hábito de roer madeira ou materiais duros, como troncos ou ramos de goiabeira para esfregar e raspar seus dentes.
A paca possui quatro dentes incisivos, quatro pré-molares e 12 molares, totalizando 20 dentes, sendo 10 no maxilar inferior e 10 no superior.
Vivendo em áreas de florestas úmidas, esses animais são encontrados em galerias de matas próximas a rios e em igarapés, onde constroem sua toca.
São excelentes nadadoras e costumam entrar na água quando perseguidas por predadores.
A paca é considerada generalista quanto à dieta e alimenta-se principalmente de frutos disponíveis no decorrer das estações.
Assim, são frugívoros, porém também pastejam, retirando alguns tubérculos da terra .
Sai em busca de alimentos ao entardecer e no crepúsculo se deslocando por trilhas fixas e próprias de cada indivíduo, que os levam diretamente aos locais de alimentação.
Preá: o pequeno
O preá é um roedor típico da caatinga pertencente à família Caviidae. No Brasil, mais comum é o Cavia aperea.
Possui o corpo alongado, cor relativamente uniforme, sendo a superfície dorsal cinza e ventre branco, a cabeça e os olhos grandes, as orelhas curtas e arredondadas
Com porte de até 25cm, pesam de 500 à 800g.
Possuem cauda atrofiada e densa pelagem de tons castanho-escuro à cinza-claro à amarelado no dorso e no ventre tons branco-amarelados à alaranjado.
Comem grãos e folhas e gramíneas.
As fêmeas podem ter 2 ninhadas por ano, cada ninhada de 1 à 5 filhotes.
Ele é parente próximo do porquinho-da-índia, animal domesticado em várias partes do mundo.
Vive em grupos familiares e constrói tocas no solo para se proteger.
E ao contrário da cutia e da paca, o preá é mais comum em áreas abertas e até em regiões urbanas, onde pode ser visto em terrenos baldios.
O preá é um animal extremamente adaptável, capaz de viver em ambientes variados, desde áreas naturais até locais alterados pelo ser humano.
Importância ecológica
Cutias, pacas e preás desempenham papéis ecológicos essenciais.
As cutias ajudam na dispersão de sementes, contribuindo para a regeneração das florestas.
As pacas, por serem grandes roedores, são presas importantes para predadores de topo, como onças.
Já os preás, por serem pequenos e abundantes, servem de alimento para aves de rapina e outros carnívoros.
Além disso, esses animais são indicadores da saúde dos ecossistemas.
Sua presença (ou ausência) pode revelar muito sobre o estado de conservação de uma área.
você já cruzou com uma paca, cutia ou preá em suas caminhadas pela natureza?
Se lembrou de alguma curiosidade ou se restou uma dúvida após a leitura, compartilhe conosco nos comentários!
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