A indisciplina em sala de aula hoje pode ser considerado um dos maiores problemas nas salas de aula.

Para controlar essa situação o professor precisa também ser um gestor da sala de aula.

Isso significa que o professor precisa organizar a aprendizagem e ser detentor de um conjunto de competências relacionais, competências didáticas e competências inerentes à matéria que leciona.

Para uma gestão da sala de aula que previna a indisciplina é necessário um conjunto de estratégias:

  • estratégias específicas do início do ano
  • estratégias prévias à condução das atividades em sala de aula mas determinantes para o seu sucesso;
  • estratégias para estruturar o início da aula;
  • estratégias de motivação e manutenção do interesse do grupo turma;
  • estratégias para manter um ritmo adequado de aula;
  • estratégias de vigilância e controle dos comportamentos;
  • estratégias conducentes a relações interpessoais positivas.

Eita, quantas estratégias!

Como dar conta de tudo isso?!

Muitas dessas estratégias já fazem parte da prática, mesmo que o professor nem sempre se dê conta.

As competências de gestão da sala de aula para prevenção da indisciplina se agrupam em três grandes blocos:

gestão

1) Gestão do ambiente de ensino-aprendizagem

Abrange estratégias de início do ano, estratégias prévias às atividades e que conduzem boas relações interpessoais.

As chamadas estratégias de início do ano, são estratégias que contribuem para personalizar a relação.

São exemplos disso:

  • Transmitir uma imagem de autoridade e organização, consubstanciada em atitudes de firmeza e segurança, consistência, intervenção pronta face a comportamentos de indisciplina;
  • Estabelecer regras que regulem aspectos diversos da vida da aula como as deslocações, a comunicação, as relações interpessoais, o material, as convenções sociais
  • Organizar uma planta da sala que facilite a localização dos alunos;
  • Utilizar atividades em que se trabalhe com toda a turma e não em grupos, por facilitar a aprendizagem de comportamentos e procedimentos adequados e permitir maior controle.

O plano de aula e a preparação para as aulas é a estratégia de gestão prévia à condução das atividades na aula.

Se preocupa com o domínio dos conteúdos e com a preparação das atividades e do material.

Ou seja, se trata da competência científica e da didática da disciplina, fundamentais para que o professor baseie também a sua autoridade no poder de especialista.

As estratégias que contribuem para o estabelecimento de ordem no início da aula ajudam a estruturar e encurtar esse período de transição e consistem na utilização de rotinas para marcar prontamente o início das atividades seja através do sumário, de uma atividade ou simplesmente dizendo que se vai começar.

2) Gestão da instrução

Estratégias de motivação e manutenção do interesse do grupo turma e de manutenção do ritmo da aula.

A motivação e manutenção do interesse do grupo turma abrange uma multiplicidade de formas:

  • monitorar o trabalho,
  • pela observação da forma como executam a tarefa proposta,
  • apoio para superarem dificuldades,
  • feedback

É importante, por mais que as vezes seja tentador, não centralizar a comunicação apenas em alguns alunos.

A sua fala deve ser com todos e chegar a todos, evitando que alguns possam sentir-se marginalizados.

A marginalização de alunos frequentemente promove o desinteresse e fuga à aula ou mesmo manifestação de comportamentos perturbadores da aula.

Outro ponto da gestão de instrução é a utilização de diferentes estratégias de ensino-aprendizagem.

Tão importante quanto a aula não ser a mesmice o ano todo, é a adequação das atividades aos conteúdos  curriculares considerando também aos conhecimentos, interesses e nível etário dos alunos.

A manutenção de um ritmo de aula adequado requer um ritmo dinâmico de aula que evite abrandamentos no fluir das atividades mas com transições suaves entre estas.

3) Gestão dos comportamentos

A gestão dos comportamentos envolve estar atento e controle.

Sempre circule pela sala, para que tenha a percepção do comportamento e do trabalho dos alunos.

Também é importante ter toda a turma visível, evitando, por exemplo, estar de costas para os alunos quando atende outros alunos ou falar voltado ao quadro, ou ainda restringindo a presença de muitos alunos.

A sua capacidade de prestar atenção em simultâneo a mais do que um acontecimento da aula é revelador de que está atento ao que se passa e permite-lhe intervir, se necessário, junto de uma situação mesmo estando mergulhado noutra.

O controle dos comportamentos pode fazer-se com ou sem punição.

Com punição

Recorre-se a tarefas desagradáveis, à mudança do local onde o aluno se encontra, o que pode incluir a expulsão da sala.

Sem punição

Recorre a diferentes formas. Pode-se começar com uma advertência verbal sobre o que ocasionará a recorrência de tal comportamento, relembrar as regras as estabelecidas no início do ano letivo até chegar a posturas impositivas.

Estimular o comportamento adequado poderá envolver, por exemplo:

  • reforço de comportamentos adequados,
  • apelos às regras,
  • do falar baixinho com o aluno ou de uma conversa particular,
  • diálogo com toda a turma,
  • mudar o tom de voz ou fazer silêncio.

O sucesso na gestão da sala de aula está em uma boa relação professor-aluno.

Uma vez que o “gostar” ou “não gostar” do professor pode fazer a diferença, pode significar “ganhar ou não os alunos”.

E estabelecer relações interpessoais positivas implica disponibilidade para ouvir os alunos, para se aproximar deles, ser afetuoso, empático, inspirar confiança, mas também ter humor, ter e ser calmo na abordagem dos problemas, respeitar o aluno, isto é, confiar nele e não o humilhar, tudo isto com a dose de firmeza necessária para fazer cumprir as decisões tomadas.