Você já parou para pensar como surgem novas espécies?

E em como surgem todas as espécies?

Antes de tudo vamos entender o que estamos chamando de espécie.

Consideramos aqui a definição clássica, segundo o conceito biológico de Mayr.

Então espécie pode ser entendida como uma população de organismos naturais que se entrecruzam e estão isolados reprodutivamente de grupos semelhantes por características biológicas ou biogeográficas.

O principal critério empregado nesse conceito é o isolamento reprodutivo pré e pós-zigótico.

Entretanto, ele não pode ser aplicado quando se está avaliando organismos fósseis, organismos exclusivamente assexuados ou híbridos viáveis e férteis.

Visando suprir essa deficiência também está sendo levado em conta o conceito evolutivo definido por Wiley (1981).

De que espécie é considerada uma única linhagem de população ancestral-descendente que mantém sua identidade em relação a outras linhagens.

E que possui sua própria tendência evolutiva e destino histórico.

Espécie é, portanto, uma população ou um grupo de populações, cujos componentes têm a capacidade de se  cruzar na natureza, produzindo descendentes férteis.

Esses componentes, no entanto, não são capazes de se cruzar com os de outra espécie.

Em outros termos, pode-se dizer que  espécie biológica é um grupo de indivíduos entre os quais pode ocorrer, na natureza, um fluxo  de genes.

Por exemplo: um trabalhador brasileiro que more na cidade de São Paulo tem pouca probabilidade de se “cruzar” com uma camponesa de uma aldeia na China.

Caso fossem colocados em contato, no entanto,  poderiam ter descendentes férteis, o que os caracteriza como seres da mesma espécie.

Contrariamente, homens e gorilas, mesmo que vivam na mesma região, continuam sendo de espécies  diferentes, pois é possível haver cruzamento entre eles.

Mas o que a definição de espécie tem a ver com como elas surgem?

O conceito de espécie baseado na capacidade de cruzamento nos permite compreender a forma como surgem essas espécies novas.

Imagine, por exemplo, que ao longo da evolução de uma espécie aparecesse algum mecanismo que impedisse, de forma definitiva, um livre fluxo de genes entre duas populações.

Isso seria o  suficiente para que ocorresse o fenômeno de especiação.

Ou seja, o surgimento de novas espécies.

Está claro que o conceito de espécie baseado na reprodução tem limitações.

Imagine, por  exemplo, um organismo cuja reprodução seja normalmente assexuada, como as bactérias e alguns  protistas.

Nesses casos, o conceito de espécie terá de depender de outros critérios, como as  características morfológicas e bioquímicas.

Como ocorre uma especiação?

A chave para a especiação é a evolução de diferenças genéticas entre as espécies ancestral.

Para uma linhagem ser dividida de uma vez por todas, as duas espécies incipientes devem ter diferenças genéticas.

Que se expressam de alguma forma que faz com que os acasalamentos entre elas não aconteçam ou não tenham sucesso.

Estas não precisam ser grandes diferenças genéticas.

Uma pequena mudança na data, local, ou rituais de acasalamento pode ser suficiente.

Mas ainda assim, algumas diferenças são necessárias.

Esta mudança pode evoluir por seleção natural ou deriva genética.

Os tipos de especiação são frequentemente classificados de acordo com o quanto a separação geográfica de espécies incipientes pode contribuir para a redução de fluxo gênico.

Uma nova espécie pode ter as seguintes relações geográficas com seu ancestral:

a) Isolamento geográfico (alopatria)

b) Existir em um continnum geográfico

c) Existir dentro da mesma área (simpatria)

espécies

Especiação alopátrica

Se refere a evolução de barreiras reprodutivas entre populações que estão geograficamente separadas.

Isso significa que a barreira física reduz o fluxo gênico (migração) entre as populações.

Esta barreira pode aparecer por mudanças geológicas e geomorfológicas (rios, cursos d’água, cadeias de montanhas, deriva continental, vulcões,etc).

Ou por eventos de dispersão (deslocamento de populações para locais distantes, dispersão provocada pelo vento, correntes marinhas, etc.)

Alopatria é definida por uma severa redução do movimento dos indivíduos ou de seus gametas entre as populações.

E não necessariamente significa uma maior distância geográfica (ex: curso de rio, cânion, etc).

É o principal modelo de especiação em animais (Mayr).

As populações isoladas se diferenciam adquirindo distintas variações (mutações).

E alterando frequências alélicas por deriva ou seleção natural até que ocorra isolamento reprodutivo.

De maneira que, se estes grupos voltarem a viver em Simpatria, não serão “compatíveis” reprodutivamente.

Há dois tipos principais de Especiação Alopátrica:

  • Especiação Vicariante

espécie