Você sabia que as estrelas-do-mar não possuem cérebro, não têm sangue e podem regenerar membros inteiros a partir de fragmentos?

Pertencentes à classe Asteroidea, no filo Echinodermata (do grego echinos, “espinho”, e derma, “pele”), as estrelas-do-mar compartilham parentesco com os ouriços-do-mar, pepinos-do-mar e lírios-do-mar.

Existem cerca de 2.000 espécies distribuídas por todos os oceanos do mundo, desde as zonas intertidais tropicais até as profundezas abissais gélidas.

A característica mais marcante da estrela-do-mar é sua simetria radial pentameral.

Enquanto a maioria dos animais complexos possui simetria bilateral (lados esquerdo e direito), as estrelas-do-mar adultas organizam seus corpos em torno de um eixo central, geralmente com cinco braços (ou múltiplos de cinco).

O corpo de uma estrela-do-mar é geralmente achatado ou abaulado e está dividido em superfície aboral e oral.

Na região aboral (superior) próximo ao centro podem estar presentes um pequeno ânus, o madreporito, pápulas e paxilas.

No centro da região oral está localizada a boca, de onde parte um sulco ambulacral na linha mediana de cada raio, delimitado por placas adambulacrais, que podem ou não conter espinhos.

Nestes sulcos projetam-se de 2-4 fileiras de pés ambulacrais, que apresentam ou não ventosas na extremidade.

As mandíbulas situam-se ao redor da boca, portando espinhos orais e suborais.

O esqueleto dos raios é formado por numerosas placas calcárias e, em alguns asteroides, pode-se distinguir claramente uma série dupla de placas marginais conhecidas como supero e inferomarginais, as quais estão alinhadas nas bordas dos braços e diferem das demais placas das superfícies aboral e oral, respectivamente.

Estruturas calcárias conhecidas como pedicelárias podem estar presentes em alguns asteroides tanto na região oral (ao redor dos espinhos ou sob as placas abactinais) quanto aboral (sob as placas actinais) e possuem formato variado.

São como pequenas pinças que removem detritos e parasitas.

Você sabia que sem um sistema circulatório centralizado ou um coração, as estrelas-do-mar dependem da água do mar para quase todas as funções vitais?

Este é o sistema mais distintivo dos equinodermos.

Funciona como uma rede de canais hidráulicos que utiliza a pressão da água para locomoção, adesão e manipulação de alimentos.

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A água entra pelo madreporito, passa pelo canal pétreo até o canal anelar (que circunda a boca) e se distribui pelos canais radiais em cada braço.

Conectados a esses canais estão as ampolas e os pés ambulacrários.

Quando a ampola se contrai, o fluido é forçado para dentro do pé, o que o faz se estender.

A ventosa na extremidade adere ao substrato através de uma combinação de vácuo e secreções adesivas químicas.

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As estrelas-do-mar não possuem brânquias complexas ou pulmões.

A troca gasosa e a excreção de resíduos nitrogenados (principalmente amônia) ocorrem por difusão simples através das pápulas (pequenas projeções na pele) e das paredes finas dos pés ambulacrários.

E embora não possuam um cérebro centralizado, elas têm um sistema nervoso descentralizado altamente funcional.

Um anel nervoso circunda a boca, com nervos radiais estendendo-se por cada braço.

Na ponta de cada braço, há um pequeno ponto ocular sensível à luz (ocelo).

Ele não forma imagens nítidas, mas permite que o animal detecte luz, sombra e movimento.

Além disso, células sensoriais em toda a pele permitem que a estrela “cheire” fontes de alimento na água.

Hábitos de vida e nutrição

Você sabia que, apesar de parecerem seres passivos, as estrelas-do-mar são predadores vorazes e desempenham papéis ecológicos cruciais como espécies-chave?

Muitas espécies de estrelas-do-mar alimentam-se de bivalves (mexilhões e ostras).

O processo é bem diferente:

1

A estrela envolve a presa com seus braços e usa a força constante de seus pés ambulacrários para forçar a abertura das conchas.

2

Uma vez que há uma fresta mínima (apenas 0,1 mm é suficiente), a estrela everte seu estômago cardíaco para fora da boca e o insere dentro da concha da presa.

3

Enzimas digestivas são secretadas, transformando o corpo do molusco em uma “sopa” nutritiva ainda dentro de sua própria concha.

4

O estômago, agora carregado de nutrientes liquefeitos, é retraído de volta para o corpo, onde a digestão termina no estômago pilórico e nos cecos digestivos localizados nos braços.

Habitat e Locomoção

As estrelas-do-mar são exclusivamente marinhas; não existem espécies de água doce.

Embora pareçam lentas, algumas espécies podem se mover a velocidades consideráveis para um invertebrado, utilizando a coordenação rítmica de milhares de pés ambulacrários.

Durante o dia, muitas se escondem sob rochas ou na areia para evitar predadores, tornando-se mais ativas à noite.

A sobrevivência da classe Asteroidea deve-se, em grande parte, à sua incrível capacidade reprodutiva e de cura.

Em relação a reprodução, a maioria das espécies é dioica (sexos separados).

Elas liberam gametas (ovos e espermatozoides) diretamente na coluna d’água, um processo chamado desova livre.

A fertilização resulta em larvas nadadoras chamadas bipinnaria, que fazem parte do plâncton antes de sofrerem uma metamorfose radical e se assentarem no fundo do mar como minúsculas estrelas.

Já em relação a sua capacidade de cura, as estrelas-do-mar conseguem se regenerar.

Por exemplo, se um braço for cortado por um predador, a estrela pode regenerar um novo braço funcional em questão de meses.

Além disso, algumas espécies podem deliberadamente “soltar” um braço para escapar de um ataque.

Assim como em certas espécies (como as do gênero Linckia), um único braço decepado que contenha uma pequena porção do disco central pode regenerar um corpo inteiro, criando um clone genético.

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Importância Ecológica

As estrelas-do-mar são fundamentais para o equilíbrio dos ecossistemas marinhos.

Ao predarem organismos como mexilhões, elas impedem que uma única espécie domine o substrato rochoso, permitindo que uma maior diversidade de algas e outros invertebrados coexista.

Este conceito, introduzido pelo ecologista Robert Paine na década de 1960, define a estrela-do-mar como uma espécie-chave (keystone species).

Atualmente, elas enfrentam ameaças como o aquecimento dos oceanos e a Síndrome do Definhamento das Estrelas-do-Mar (SSWD), uma doença ligada a vírus e estresse térmico que causa a fragmentação e morte rápida de milhões de indivíduos.

A conservação desses animais é, portanto, vital para a saúde de nossos oceanos.