A imagem que abre esse post ilustra um pensamento comum quando se trata de plantas carnívoras.

O imaginário de que plantas devoram pessoas, assustadoras, grandes e são reforçadas por filmes e séries.

Como por exemplo a foto deste post, parte do filme “Little Shop of Horrors” (A pequena loja de horrores em português), de 1987 e em nada se parecem com as plantas carnívoras reais.

As plantas carnívoras aparecem pela primeira vez na literatura botânica em 1554.

Quando Dodonaeus faz uma ilustração de uma espécie de Drósera erroneamente classificada como musgo.

Depois Darwin (1875) demonstrou que a captura de presas incrementava o crescimento e produção de sementes.

Hoje são conhecidas cerca de 550 especies distribuídas em 9 famílias e 18 gêneros.

Ainda não se sabe com certeza como se originou o habito carnívoro em plantas.

Mas em geral a explicação aceita é que foi uma evolução de características que a princípio teriam outras funções.

Esta visão supõe a evolução dos sistemas de armadilhas.

Ou seja, ocorreu em resposta a pressões de seleções não relacionadas com carnivoria.

Como por exemplo mecanismos de defesa contra herbívoros.

Ao contrário do que a maioria das pessoas acham, a maioria das plantas carnívoras tem um tamanho reduzido.

Por exemplo algumas plantas como a Drosera pygmaea medem apenas 10 mm de diâmetro.

Alguns autores preferem o termo plantas insetívoras, visto que são plantas especialistas em capturar insetos.

E que eventualmente acabam capturando pequenos vertebrados, acidentalmente.

As plantas carnívoras têm adaptações especiais, que são usadas para atrair e capturar insetos.

Essas plantas digerem os organismos capturados, absorvendo os compostos nitrogenados que eles contêm.

Assim como outros compostos orgânicos e inorgânicos, tais como fosfato e potássio.

Ou seja, as plantas carnívoras são capazes de utilizar proteína animal diretamente como fonte de nitrogênio.

Isso porque a maioria das plantas carnívoras do mundo é encontrada em pântanos.

Que é um habitat que geralmente, é muito ácido e por isso, não é favorável ao crescimento de bactéria nitrificante.

Mecanismos de atração e estruturas de captura de plantas carnívoras

As plantas carnívoras aprisionam suas presas de vários modos.

Dentre todos os gêneros vamos falar um pouco de três especies mais estudadas, de duas famílias: Scrophulariales e Droseraceae.

Utriculária (Utricularia vulgaris)

É uma planta aquática livre flutuante com armadilhas formadas por bolsas ou vesículas membranosas, achatadas, pequenas e em forma de pera.

Cada vesícula tem uma abertura fechada por uma “tampa suspensa”.

O mecanismo de captura consiste em quatro cerdas duras próximas à borda livre inferior da “tampa”.

Então quando um pequeno animal entra em contato com essas cerdas, os pelos causam a distorção da borda inferior da tampa fazendo-a abrir-se rapidamente.

A água então é ”arrastada” para dentro da vesícula, carregando consigo o animal, e a tampa é fechada atrás dele.

Posteriormente, uma série de enzimas secretadas pela parede interna das vesículas e por uma população de bactérias residentes nelas digere o animal.

Assim, os compostos orgânicos e inorgânicos produzidos são absorvidos pelas paredes das células da vesícula.

Enquanto os exoesqueletos não digeridos permanecem dentro dela.

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Drósera (Drosera rotundifolia)

É uma planta muita pequena, frequentemente com apenas alguns centímetros de tamanho.

E que possui tricomas em forma de clava na superfície superior das folhas.

As pontas desses tricomas glandulares secretam um líquido claro e pegajoso, ou mucilagem, que atrai os insetos.

E quando um inseto é capturado pela mucilagem, os tricomas dobram-se para dentro até que a folha finalmente se curva ao redor do inseto.

Então os tricomas secretam juntos seis enzimas, as quais, junto com as enzimas produzidas pelas bactérias, especialmente quitinase, digerem o inseto.

Assim, os nutrientes liberados na mucilagem pela presa são reabsorvidos pelas mesmas glândulas que secretam as enzimas digestivas.

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Dionaea muscipula

Tem cada metade da folha equipada com três tricomas sensitivos.

Assim, quando um inseto, atraído pelo néctar secretado na superfície foliar, anda sobre uma das folhas, ele toca nos tricomas e provoca o fechamento da folha, semelhante a uma armadilha.

As bordas dentadas se cruzam, as duas metades da folha gradualmente se fecham e o inseto é pressionado contra as glândulas digestivas na superfície interna da armadilha.

O mecanismo de armadilha é tão especializado que pode distinguir entre uma presa viva e objetos inanimados, como por exemplo pequenos gravetos que caem na folha acidentalmente.

A folha não fechará a menos que dois de seus tricomas sejam tocados sucessivamente ou um tricoma seja tocado duas vezes.

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