Com o exame de DNA, a determinação de paternidade passou a atingir níveis de certeza absoluta.

O DNA de cada ser humano é único e diferente dos demais, com exceção de gêmeos univitelinos.

Todo ser humano possui duas formas de cada gene.

Uma forma recebida de sua mãe e a outra de seu pai.

Embora a maioria dos genes seja essencialmente igual entre as pessoas, algumas sequências específicas do DNA são extremamente variáveis entre indivíduos.

O local onde uma destas sequências hipervariáveis é encontrada no cromossomo é denominado loco.

Cada um destes locos pode, portanto, ter várias formas diferentes denominadas alelos.

Estas sequências de DNA contêm várias cópias consecutivas de uma unidade de sequência.

Uma atrás da outra, como vagões de trem.

Em uma população, podemos encontrar alelos diferentes desta mesma sequência entre os indivíduos onde a diferença entre eles está apenas no número de vezes em que a unidade se repete.

Assim, estas sequências são ditas altamente polimórficas.

Para facilitar a compreensão, tome como exemplo a sequência ATCG como uma unidade de sequência de um microssatélite:

Se um alelo possuir esta unidade repetindo-se de modo consecutivo 3 vezes, teremos a seguinte sequência:

ATCGATCGATCG

Alelo 1 gerando um fragmento de 12 pares de bases.

Agora tome como exemplo um outro alelo onde esta mesma unidade se repete por 4 vezes.

Deste modo, o fragmento gerado será:

ATCGATCGATCGATCG

Alelo 2 com 16 pares de bases.

Estes dois alelos poderão ser diferenciados de acordo com seus respectivos tamanhos.

São justamente estas diferenças no número de repetições destas sequências que resultam na detecção de diferentes alelos.

Ou seja, fragmentos de tamanhos diferentes, no genoma humano de diferentes indivíduos.

Em genomas de eucariotos, estas sequências estão distribuídas ao acaso e constituem a classe mais polimórfica de marcadores moleculares disponível.

Estas repetições podem estar localizadas dentro de genes ou podem se localizar em regiões que não contêm genes.

Estas regiões ainda são de função desconhecida.

Mas o que tudo isso tem a ver com o teste de paternidade?

Estas sequências repetitivas são utilizadas em testes de paternidade por DNA por serem altamente polimórficas.

O que diminui muito a possibilidade de que dois indivíduos não relacionados tenham o mesmo genótipo.

Isto é, os mesmos alelos.

Nestes casos, várias regiões diferentes do genoma são utilizadas.

Ou seja, fragmentos de DNA repetitivo espalhados pelo genoma.

Para se chegar a um número que reflita a possibilidade de que um indivíduo seja de fato o pai em questão, todos os resultados são multiplicados e avaliados.

O compartilhamento de alelos entre a criança e o suposto pai permite estabelecer paternidade com uma probabilidade maior, menor ou igual a 99,9999%.

Por outro lado, quando os alelos não são compartilhadas entre a criança e o suposto pai, este é excluído categoricamente (100%) da possibilidade de ser o pai biológico da criança.

Os alelos presentes no filho que não estão presentes na mãe, obrigatoriamente devem estar presentes no pai biológico.

Método PCR (Polymerase Chain Reaction)

Este método existe graças ao Dr Kary B. Mullis.

O princípio básico da PCR está na capacidade de, a partir de quantidades mínimas de DNA, multiplicar uma determinada sequência, de modo que esta se torne majoritária na amostra.

O material inicial para análise através da técnica de PCR pode ser obtido a partir de diferentes tecidos.

Estes tecidos podem ser o sangue, que proporciona uma grande quantidade de DNA, ou até mesmo fios de cabelo ou células da boca.

Numa reação de PCR, o fragmento de DNA que desejamos multiplicar (ou amplificar) é chamado de fragmento alvo ou DNA molde (e os oligonucleotídeos que utilizamos são chamados de primers), ou iniciadores.

Na realidade, os primers nada mais são do que pequenos fragmentos de DNA complementares às extremidades da região que se pretende amplificar.

Estes primers são produzidos rapidamente e vendidos por companhias de biotecnologia específicas.

A técnica de PCR tem provocado grande impacto nas principais áreas da biotecnologia.

Como o mapeamento gênico, clonagem e sequenciamento de DNA, e detecção da expressão gênica.

Atualmente, a PCR é utilizada para o diagnóstico de doenças genéticas.

Bem como na detecção de material genético presente em pequenas quantidades na amostra em análise.

As etapas de um exame de paternidade

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