Vez ou outra a gente escuta notícias sobre açaí contaminado que provoca a doença de chagas.

Recentemente novamente está em evidência esse assunto.

E fica a dúvida, será mesmo que isso é possível?

Essa suspeita, já levantada desde 2006, foi confirmada em 2010 por pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e também do Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (Ipen).

Mas isso significa que não podemos mais tomar açaí sem riscos?

NÃO!

O açaí é típico da região norte e faz parte da base alimentar de muitos habitantes da região norte e nordeste do país.

E por lá o consumo da fruta in natura é diária.

Ou seja, não se trata do açaí industrializado que consumimos por aqui.

Se trata da fruta em estado natural, sem passar pelo processo de industrialização que conserva o produto para venda em outras regiões do Brasil e no exterior.

E por isso, não há motivos para descartar o consumo de açaí.

A contaminação ocorre quando há falta de higiene.

Testes realizados pelos pesquisadores, e publicados na revista Advances in Food and Nutrition Research, mostraram que o protozoário causador da doença de Chagas é capaz de sobreviver na polpa da fruta tanto em temperatura ambiente, como a 4°C, temperatura média de uma geladeira, e até a -20°C, no açaí congelado.

Assim, o açaí em geral é contaminado quando um barbeiro, inseto vetor da doença de chagas, ou as fezes dele se misturam à polpa durante o processamento.

Às vezes reservatórios utilizados na produção do vinho de açaí também podem ser contaminados.

No caso da polpa industrializada, que em geral a maioria das pessoas de outras regiões consomem, o produto passa por um processo de lavagem e de pasteurização.

E dessa forma elimina qualquer possibilidade de sobrevivência do Trypanosoma cruzi.

E o que é a doença de Chagas?

A doença de Chagas é uma doença infecciosa causada pelo protozoário Trypanosoma cruzi.

E quando a pessoa desenvolve a doença, observam-se duas fases clínicas.

Uma aguda, que pode ou não ser identificada, e uma fase crônica.

Assim, a doença é adquirida por meio do contato com as fezes do barbeiro, seja pela pele ou via oral.

Isso porque no tubo digestivo dos insetos vetores, ocorre um ciclo com a transformação do parasito, dando origem as formas infectantes presentes nas fezes do inseto.

Entre os principais sintomas estão febre, inchaço e problemas cardíacos, que, em estado mais avançado, levam o paciente à morte.

Formas de transmissão

chagas

A transmissão do T. cruzi para o homem ocorre por meio de um vetor, os triatomíneos.

Esses triatomíneos apenas transmitem o parasita se estiverem infectados.

E isso acontece quando eles se alimentam em um dos numerosos hospedeiros.

Ou seja, se os mamíferos de uma determinada área apresentar altas taxas de infecção por T. cruzi, há probabilidade do vetor se infectar e, portanto, infectar o próximo mamífero (incluindo o homem).

As formas habituais de transmissão da doença de Chagas para o homem são: a vetorial, a transfusional, a transplacentária (congênita) e, mais recentemente, a transmissão pela via oral, pela ingestão de alimentos contaminados pelo T. cruzi.

Transmissão vetorial

A doença de Chagas passou a representar um grave problema de saúde pública, com a domiciliação e colonização de vetores.

Já que foi provocada pelo desequilíbrio ambiental e invasão humana do meio ambiente.

A transmissão vetorial acontece pelo contato do homem suscetível com as excretas contaminadas dos triatomíneos.

Também conhecidos como “barbeiros” ou “chupões”.

Esses, ao picarem os vertebrados, em geral defecam após o repasto, eliminando formas infectantes de tripomastigotas metacíclicos.

Que penetram pelo orifício da picada ou por solução de continuidade deixada pelo ato de coçar.

Transmissão transfusional

A transmissão transfusional da doença de Chagas é a segunda via mais importante de propagação da doença nos centros urbanos.

O Brasil, que nos anos 80 apresentava prevalência média de 7,03% em candidatos à doação de sangue, teve esse coeficiente diminuído para 3,18%, n