As participações das mulheres nas diversas áreas do saber ainda têm pouco reconhecimento.

Mulheres também são lideranças no ensino e na pesquisa e não somente, sob a ótica de gênero, como meras coadjuvantes nos papéis tradicionais de companheiras, assistentes, professoras.

Mais do que reconhecer as contribuições das mulheres na ciência, nesse dia dedicado a todas as mulheres, ressaltamos as mulheres brasileiras que abriram portas na ciência atuando na biologia.

Abriram portas do saber  porque cada uma delas teve um importante papel para sua área de conhecimento.

E portas do poder, porque provaram que as mulheres não são só aptas para a ciência quanto esta não pode prescindir de sua contribuição.

1) BERTHA LUTZ (1894 – 1976) – Bióloga e Ativista Feminista

Grande ativista política e cientista.

Nasceu em São Paulo, no dia 2 de agosto de 1894.

Filha do cientista e pioneiro da Medicina Tropical Adolfo Lutz e da enfermeira inglesa Amy Fowler.

Em 1918, na cidade de Paris licenciou-se em Sciences na universidade da Sorbonne e retornou para o Brasil.

Desde seu regresso em 1918, aos 24 anos, Bertha tornou-se uma defensora incansável dos direitos da mulher na Brasil.

Foi a segunda mulher brasileira a ingressar prestou no serviço público (1919), como bióloga do Museu Nacional.

Nessa instituição trabalhou por quarenta e seis anos e nela construiu uma reputação internacional como cientista.

Bertha atuou por quatro décadas como docente e pesquisadora do Museu Nacional, no Rio de Janeiro.

Nessa atividade foi reconhecida internacionalmente por sua valiosa contribuição na pesquisa zoológica, especificamente de espécies anfíbias brasileiras.

Descobriu entre outras a Liolaremus Lutzae (lagartixa de praia), várias Hylas, entre outras H. Squalirostris, e Perpusilla.

Um dos seus mais importantes trabalhos científicos foi “Estudos sobre a Biologia Floral da Mangífera Índica L”, tese para o Concurso de Botânica do Ministério da Agricultura.

Publicou vários artigos sobre a coleção de Anfíbios Anuros do seu pai, Adolpho Lutz, bem como organizou o primeiro herbário dele, num projeto financiado pelo recém criado Conselho Nacional de Pesquisas (o atual CNPq).

Contribuições políticas

Além do legado científico, Bertha lutou insacavelmente por direitos para as mulheres como: igualdade salarial, inclusão de proteção trabalhista e direito do voto.

Além disso criou a Liga para a Emancipação Intelectual da Mulher (1919), embrião da poderosa Federação Brasileira pelo Progresso Feminino – FBPF.

Betha também fez parte uma comissão de juristas encarregada de elaborar o Código Eleitoral, no governo provisório de Getúlio Vargas.

E como deputada federal (1936) na vaga deixada pelo deputado titular, Cândido Pessoa, que falecera, apresentou o projeto de lei do Estatuto da Mulher, que reformava a legislação brasileira quanto ao papel do trabalho feminino.

Faleceu no Rio de Janeiro a 16 de setembro de 1976.

2) GRAZIELA MACIEL BARROSO (1912-2003) – Botânica

Sabe aquele livro de botânica que é uma leitura obrigatória?

Então, foi escrito por essa mulher!

Nasceu em 11 de abril de 1912, em Corumbá (Mato Grosso do Sul).

Como a maior parte das mulheres de sua época, Graziela Maciel Barroso foi educada para ser dona de casa.

Casou-se aos 16 anos com o agrônomo Liberato Joaquim Barroso.

Aos 30 anos, no entanto, com os filhos já crescidos, Liberato perguntou à esposa se ela gostaria de voltar a estudar, e passou a lhe ensinar botânica.

Graziela foi então trabalhar como estagiária no Jardim Botânico no Rio de Janeiro.

Foi a primeira mulher a fazer o concurso para ser naturalista do Jardim Botânico, tirou o segundo lugar e a partir de 1946  trabalhou com seu marido em sistemática botânica.

Durante muitos anos, Graziela trabalhou sem ter curso superior.

Apesar disso, orientava os novos estagiários e mesmo mestrandos e doutorandos.

Aos 47 anos, decidiu estudar e ingressou no curso de biologia da Universidade do Estado da Guanabara.

Finalmente, em 1973, aos 60 anos defendeu sua  tese de doutorado “Compositae – subtribo Baccharidinae Hoffmann – estudo das espécies ocorrentes no Brasil.”

Dona Graziela é conhecida como a “primeira grande dama” da botânica brasileira, tendo sido professora de quase todos os botânicos brasileiros, nos seus mais de 50 anos de atividade didática.

Produção científica

Sua obra mais conhecida é provavelmente ‘Sistemática de Angiospermas do Brasil’, em 3 volumes, dos quais dois foram publicados depois de sua aposentadoria compulsória em 1982.

Seu quarto livro, ‘Frutos e Sementes’, foi publicado em 1999.

Em sua homenagem, mais de 25 espécies vegetais identificadas nos últimos anos foram batizadas com seu nome, como Dorstenia grazielae (caiapiá-da-graziela) da família das Moraceas (a da figueira) e Diatenopteryx grazielae (maria-preta).

Tornou-se a maior catalogadora de plantas do Brasil.

Seu livro Sistemática de angiospermas do Brasil  é uma referência internacional sobre o assunto, sendo adotado em todas as universidades brasileiras.

Eleita para a Academia Brasileira de Ciência, sua posse estava marcada para o dia 4 de junho de 2003, mas faleceu no dia 5 de maio daquele ano.

3) MARTA VANNUCCI (1921) – Bióloga

Nasceu em Florença, Itália, em 1921.

Emigrou para o Brasil em 1930, fugindo do fascismo.

No Brasil, Marta cursou história natural na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da Universidade de São Paulo (USP).

Aos 25 anos, defendeu a sua tese de doutorado, sob a orientação do professor Ernest Marcus, zoólogo de renome internacional.

Após a defesa da tese, foi trabalhar como assistente do prof. Marcus na cadeira de zoologia da mesma escola.

Contribuições científicas

Quando o Instituto Paulista de Oceanografia estava em formação, sob a direção do professor Besnard, Marta foi convidada para fazer parte da equipe de pesquisadores do instituto, que foi integrado à USP com o nome de Instituto Oceanográfico.

Como a instituição não dispunha de um barco grande para pesquisas em alto mar, o professor Besnard concentrou as pesquisas nos mangues da região lagunar de Cananéia, no estado de São Paulo, o que ofereceu a Marta a oportunidade para se especializar no ecossistema dos mangues.

Trabalhou pela Unesco, em Cochin (1969), no Instituto Oceanográfico da Índia, onde permaneceu até 1971, sempre estudando plâncton.

De 1972 a 1974 dirigiu um laboratório no México, retornando para a Índia para dirigir um projeto de estudo de manguezais.

Tornou-se, assim, uma dos mais renomados pesquisadores de ecossistemas de manguezais do mundo.

Marta publicou mais de cem trabalhos científicos.

É aposentada como professora da USP e como Sênior Expert in Marines Science da UNESCO.

É Honorary Advisor do ISME (International Society of Mangrove Ecosystems) de Okinava no Japão.

4) RUTH SONNTAG NUSSENZWEIG (1928) – Bióloga

Nasceu em 20 de Junho de 1928, em Viena, Áustria, filha de Eugenia e Baruch Sonntag, e emigrou para o Brasil ainda menina.

Entrou na Escola de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) em 1948, onde conheceu Vitor Nussenzweig, com quem se casou e  graduou-se em 1953.

Sua formação científica iniciou-se durante o estudo universitário, no Departamento de Parasitologia da USP, então chefiado pelo Dr. Samuel Pessoa.

Trabalhou vários anos no problema da transmissão da doença de Chagas pela transfusão sanguínea e sua prevenção.

Contribuições científicas

Demonstrou que a Doença de Chagas pode ser adquirida por transfusão sanguínea.

E que a adição de violeta de genciana ao sangue infectado previne a transmissão da doença.

Em 1958, mudou-se para a França para realizar seu pós-doutoramento, em bioquímica, no Collège de France.

O brilhante desempenho de Ruth lhe conseguiu a vaga de imunologista para a cadeira de parasitologia nos Estados Unidos.

Na época, a biologia da malária estava sendo estudada por outros professores do Departamento e Ruth iniciaria então estudos a respeito da resposta imune contra a doença.

Foi inicialmente indicada como Professora Assistente (1965), mas rapidamente virou Professora Associada (1968) e Professora Plena (1972).

Durante este período, Ruth fez uma grande descoberta, demonstrando em animais de laboratório que era possível obter proteção contra o parasita causador da malária por meio da irradiação do micróbio.

Esta descoberta foi publicada em 1967, na revista Nature, o mesmo periódico onde anos antes havia sido publicada a estrutura do DNA.

Esta descoberta gerou imenso entusiasmo e serviu de base para as pesquisas que visavam desenvolver uma vacina contra a malária.

Ruth tem mais de 200 trabalhos publicados nas revistas mais conceituadas nacionais e internacionais e foi honrada com inúmeros prêmios e condecorações, nacionais e internacionais.

5) HELGA WINGE (1934) – Bióloga

Nasceu em Porto Alegre, em 23 de janeiro de 1934.

Terminou o Bacharelado de História Natural em 1956 e, no ano seguinte, a Licenciatura pela Faculdade de Filosofia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).

Concluiu o curso de Especialista em Biologia em 1962, na mesma faculdade.

Em 1971, defendeu sua tese de doutoramento em Ciências (Genética) pelo Curso de Pós-Graduação em Genética da UFRGS.

Sua carreira profissional iniciou-se em 1958 quando foi convidada para ingressar como auxiliar de pesquisas no Departamento de Genética da UFRGS.

Tornou-se professora titular desta mesma instituição em 1984.

Foi também professora assistente na Universidade de Brasília (UnB) em 1964/65 e em 1967/68 foi bolsista no Departamento de Zoologia da Universidade de Wisconsin (EUA).

Suas pesquisas na área de genética e evolução de plantas neotropicais, nos géneros Ilex e Hordeum e nas culturas de tecidos e transparência de DNA em planta cevada (Hordeum vulgare vulgare) a destacaram no mundo científico.

Na atualidade, suas pesquisas permanecem na mesma linha com ênfase em cultura de anteras e estudos sobre o processo androgenético e em embriogênese somática, com vistas à transferência de genes.

Além de uma brilhante carreira como bióloga, a doutora Helga também foi uma incansável docente, orientando, desde 1971, dissertações e teses no Curso de Pós-Graduação em Genética e Biologia Molecular (UFRGS).

Recebeu inúmeros prêmios e homenagens ao longo de sua carreira.

6) SONIA DIETRICH  (1935 – 2012) – Bióloga e Bioquímica Vegetal

O reconhecimento do biólogo como profissão?

Graças a luta desta mulher!

Nasceu em São Paulo (SP) em 27 de janeiro de 1935.

É considerada uma das pioneiras no desenvolvimento da fisiologia e bioquímica de plantas.

Formou-se em história natural na Universidade de São Paulo em 1957.

De 1964 a 1966 trabalhou na University of Wisconsin-Madison.

E de 1967 a 1969 realizou seu doutorado em bioquímica de alcaloides na University of Saskatchewan no Canada.

Trabalhou por toda a carreira (1959 a 1992) e como Professora Visitante (de 1992 até a sua morte em 2012) no Instituto de Botânica de São Paulo.

Onde consolidou a liderança da Seção de Fisiologia e Bioquímica de Plantas (hoje o Núcleo de Pesquisa em Fisiologia e Bioquímica).

A sua liderança consolidou uma dos mais fortes grupos de pesquisa em carboidratos de plantas do Brasil.

Liderou a formação e foi a primeira coordenadora do Curso de Pós-Graduação em Biodiversidade,  o primeiro do país.

Contribuição científica

Conduziu estudos pioneiros da busca de polissacarídeos (notadamente os polissacarídeos de parede celular e os frutanos) em plantas nativas do Brasil.

Descobriu um grande número de novas espécies úteis e ao mesmo tempo ajudou a compreender a importância destes compostos na evolução biológica em plantas.

Graças as suas descobertas hoje é possível o desenvolvimento de aplicações de polissacarídeos de plantas brasileiras em biotecnologia.

Os seus trabalhos também estabeleceram modelos biológicos de espécies nativas para os estudos fisiológicos e bioquímicos.

O que possibilitou compreender vários dos mecanismos de estabelecimento de espécies brasileiras à Mata Atlântica e ao Cerrado.

A sua atuação científica pioneira abriu as portas para o conhecimento do funcionamento da biodiversidade brasileira o que contribuiu com os primeiros esforços de conservação da biodiversidade.

Foi também uma das pesquisadoras pioneiras em estudos dos mecanismos de resposta de defesa de plantas.

Produziu trabalhos fundamentais, como por exemplo nas respostas bioquímicas do cafeeiro à ferrugem, que tem reconhecimento internacional.

Foi uma das pesquisadoras que ajudou a consolidar a estabilidade do financiamentos à pesquisa que o Brasil apresenta desde o início do século XXI.

Conhecida como Dama de Ferro, sendo temida e respeitada por sua inteligência sagaz e profundo senso crítico.

Também foi um personagem fundamental para a Biologia no Brasil, pois foi Vice-presidente do Conselho Federal de Biologia e atou como um dos principais pesquisadores na luta para a regulamentação da carreira de biólogo em nosso país.

No cenário internacional, foi fundadora da Rede Latinoamericana de Botânica (RLB) e membro da Rede Latinoamericana de Biologia, (RELAB).

Foi responsável por iniciar a integração científica na região através da consolidação de cursos e abrindo oportunidades para a troca de estudantes de pós-graduação entre os diferentes países da América Latina.

7) REINALDA MARISA LANFREDI (1947 – 2009) – Bióloga Marinha

Filha de Hilda Irene Potthoff Lanfredi e Paulo Lanfredi, nasceu a 2 de janeiro de 1947 na cidade do Rio de Janeiro.

Completou o curso científico em 1967, no Colégio Estadual Freire Alemão, em Campo Grande, Rio de Janeiro.

Ingressou no Curso de Biologia do Instituto de Biologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro, onde obteve o grau de Bacharel em Biologia Marinha.

Em 1986, ingressou como professora visitante no Instituto de Biofísica Carlos Chagas Filho da Universidade Federal do Rio de Janeiro, onde desempenhou atividades de docência e pesquisa.

Em 1990, defendeu sua Tese de Doutorado utilizando a microscopia eletrônica de varredura para estudos morfológicos em nematódeos trichurídeos.

Reinalda Lanfredi foi pioneira na utilização desta técnica como ferramenta na Taxonomia de parasitos.

Os trabalhos publicados por ela e sua equipe serviram de base para uma geração de cientistas que passaram o levar em consideração detalhes morfológicos refinados que auxiliaram na identificação de espécies novas, principalmente de helmintos de importância médico/veterinária.

Foram mais de 55 artigos publicados em periódicos nacionais e internacionais com colaboração com diversas instituições de pesquisa e ensino.

8) DIANA MUSSA  (1932-2007) – Paleobotânica

Nasceu em 19 de janeiro de 1932, na cidade de Campos dos Goytacazes (RJ), em uma família de professores, imigrantes libaneses.

Sonhava, desde sempre, ser Naturalista.

Assim, em 1952, mudou-se para o Rio de Janeiro e ingressou na graduação em História Natural na Faculdade Nacional de Filosofia, Ciências e Letras da Universidade do Brasil UB (atual UFRJ).

Inquieta, dedicada e com sede de saber, cursou também o curso de Geologia na mesma instituição.

Neste período, aprofundou seus estudos, realizando estágios com grandes pesquisadores, tanto da Botânica, quanto da Geologia.

Com sua formação impecável tanto como anatomista quanto como geóloga, dedicou-se, heroicamente, ao maior estudo já realizado no Brasil sobre as assembleias de madeiras fósseis do Permiano da Bacia do Paraná.

Em 1983, Diana foi requisitada pelo Museu Nacional (MN/UFRJ).

Contribuições científicas

Assim, passou a realizar pesquisa, orientar alunos e ministrar diversas disciplinas tanto no Departamento de Geologia e Paleontologia do Museu Nacional (DGP-MN/UFRJ), quanto no Instituto de Geociências (IGEO/UFRJ).

Em 1993, após passar por concurso público, foi nomeada como Professora Adjunta de Paleobotânica no Museu Nacional.

Além de fotografar amplamente suas coletas, ilustrou em nanquim a anatomia dos lenhos fósseis, com a grande lucidez de interpretá-los tridimensionalmente.

Seu legado científico abrange trabalhos com fósseis paleozóicos, mesozóicos e alguns quaternários.

Descreveu 30 gêneros de plantas fósseis.

Deixou uma importante coleção, com mais de mil lâminas de madeiras fósseis.

É considerada maior paleobotânica que o Brasil já teve e autoridade mundial para as floras do Devoniano.

9) MARIA JUDITH ZUZARTE CORTESÃO (1914-2007) – Educadora Ambiental

Judith, como gostava de ser chamada, nasceu em 31 de dezembro de 1914, na cidade do Porto, Portugal.

Filha do historiador Jaime Zuzarte Cortesão, aos 17 anos deixa Portugal, com a família, em razão de perseguição política, pelo governo ditatorial daquele país.

Exilam-se em vários países europeus até chegarem ao Brasil em 1940, quando Jaime vem pesquisar a história da formação territorial do país.

Foi professora de Educação Ambiental Marinha no primeiro Programa de Pós-graduação em Educação Ambiental brasileiro, na Universidade Federal (FURG),  em 1990.

Dedicou-se a diversas áreas do conhecimento durante sua longa vida, dentre elas: Neuroendocrinologia, Matemática, Genética, Reprodução Humana, Climatologia, Antropologia, Espeleologia e Ecologia, além de Letras.

Foi uma das criadoras do programa Globo Ecologia e da Ong ARCA, e consultora das Ongs SOS Mata Atlântica e Instituto Acqua.

Dotada de uma visão e uma postura sempre à frente do seu tempo, compreendeu e difundiu a necessidade de preservação ecológica antes mesmo de o ambientalismo se tornar um movimento organizado, já desde os anos 1980.

Recebeu diversos prêmios e homenagens, entre eles: o 1º Prêmio Nacional de Museologia, pelo projeto do Museu Terra/Homem, 1º Prêmio Nacional do Filme Científico por “Emas Parque Nacional do Cerrado”, e o Prêmio Muriqui, da Reserva da Biosfera da Mata Atlântica, reconhecido como uma das mais importantes homenagens às ações ambientais no país.

Faleceu em 25 de setembro de 2007, em companhia de alguns de seus oito filhos, em Genebra.

10) MARIA IRENE BAGGIO (1940) – Geneticista

Maria Irene Baggio (ex. Moraes-Fernandes), é natural de Bom Jesus, RS.

Graduou-se em História Natural em 1963 na Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

Na qual foi convidada para trabalhar no Departamento de Genética, onde organizou o Laboratório de Citogenética Vegetal realizando pesquisas sobre Pastagens Nativas, tema de seu doutorado em 1971.

Atuou nos Cursos de Pós-Graduação em Genética e Agronomia participando e/ou organizando projetos interdisciplinares e interinstitucionais, o que caracterizou suas atividades durante 45 anos de vida profissional.

Por suas pesquisas sobre citogenética e adaptação do sistema genético do trigo aos estresses, foi convidada para ingressar na recém-criada Embrapa Trigo, em 1975.

Na Embrapa liderou projetos e equipes envolvendo pesquisadores, técnicos e estudantes com a orientação e/ou colaboração de consultores da América e Europa.

Dentre as suas atividades, a pesquisadora foi precursora, no Brasil, das pesquisas de engenharia cromossômica e cultura in vitro de embriões híbridos.

O que deu origem a 10 linhagens portadoras de novos genes de espécies silvestres, usadas no pré-melhoramento em vários países.

Introduziu também a cultura de anteras in vitro, para a obtenção de plantas haploides, derivadas apenas do pólen portanto, com a metade do patrimônio genético.

Como produtos tecnológicos decorrentes do seu pioneirismo, foram lançadas ao mercado outras cinco cultivares de trigo, além de 10 de cevada, sendo que a primeira foi denominada BRS Mirene, em sua homenagem.

Outras mulheres brasileiras importantes para a ciência, em outras áreas, podem ser vistas aqui, num levantamento feito pelo cnpq.