Qual a primeira coisa que você pensa quando ouve a palavra “Amazônia”?

Certamente algumas imagens e conceitos lhe ocorrem de forma imediata.

Afinal, a Amazônia está no imaginário de todo o mundo, não é mesmo?

A vastidão das águas e matas, a biodiversidade de plantas e animais, a ideia de um lugar cheio de riquezas, a constante notícias de desmatamento.

E agora as notícias sobre os incêndios sem precedentes que ganhou o mundo.

Mas afinal o que disso tudo é verdade?

Muita gente ainda não percebeu a gravidade do que está acontecendo.

Ou como isso afeta a vida de todos, mesmo que estejamos longe da Amazônia.

É claro que a história da Amazônia, da chegada dos primeiros europeus até os dias atuais, tem sido uma trajetória de perdas e danos.

Mas trata-se de um desastre sem precedentes contra o maior patrimônio natural do planeta Terra.

E também contra a economia e a sobrevivência dos habitantes naturais (caboclos, ribeirinhos, índios e outros).

E, pode-se dizer, contra o futuro da região e das novas gerações que precisarão dela para viver!

A natureza não tem sido considerada como parceira e aliada para estabelecer um real desenvolvimento da região.

Muito pelo contrário!

Já que a floresta amazônica aparece nos planos e programas federais nas últimas décadas ora como um obstáculo a ser vencido, ora como simples objeto a ser explorado, ora como um almoxarifado inesgotável de riquezas – e que, portanto, não se precisa ser reposto.

E em 2019 a situação se agravou muito.

Já que o período seco, por si só, não explica o aumento dos incêndios na Amazônia, o maior dos últimos quatro anos.

É um índice impressionante, pois a estiagem deste ano está mais branda do que aquelas observadas nos anos anteriores.

Entretanto, até 14 de agosto, eram 32.728 focos registrados, número cerca de 60% superior à média dos três anos anteriores para o mesmo período (média de ~20,4 mil focos de incêndios, variando entre ~15 e 25,5 mil) (IPAM).

A média de dias cumulativos sem chuva até 14 de agosto de 2019 variou entre 11 dias (Amazonas) e 29 dias (Roraima).

Como dissemos anteriormente, a trajetória da Amazônia é de perdas e a mais recente mostra que não aprendemos nada com a história.

Em 1994, o filme “Amazônia em chamas” conta a história do ambientalista Chico Mendes.

E passados tantos anos, os céus enfumaçados da Amazônia denunciam que a Amazônia continua em chamas.

Passados tantos anos, as chamas da Amazônia continuam sendo assunto nacional e internacional.

Pessoas e animais continuam morrendo queimados.

Passado tanto tempo, as fumaças das queimadas escureceram o céu de São Paulo logo depois do meio dia em 19 de agosto.

Muita gente fez piada com isso, dizendo que isso só seria possível se São Paulo ficasse ao lado da Amazônia.

Mas isso é possível sim, por causa dos chamados rios voadores.

Os rios voadores são “cursos de água atmosféricos”,  formados por massas de ar carregadas de vapor de água, muitas vezes acompanhados por nuvens, e são propelidos pelos ventos.

Essas correntes de ar invisíveis passam em cima das nossas cabeças carregando umidade da Bacia Amazônica para o Centro-Oeste, Sudeste e Sul do Brasil.

Essa umidade, nas condições meteorológicas propícias como uma frente fria vinda do sul, por exemplo, se transforma em chuva.

É essa ação de transporte de enormes quantidades de vapor de água pelas correntes aéreas que recebe o nome de rios voadores.

Um fenômeno real que tem um impacto significante em nossas vidas.

A floresta amazônica funciona então, como uma bomba d’água.

Ela puxa para dentro do continente a umidade evaporada pelo oceano Atlântico e carregada pelos ventos alíseos.

Os mitos e verdades sobre a amazônia

Vamos começar pelos mitos que tanta gente reproduz por ai.

1) A floresta amazônica pode ser considerada o pulmão do mundo

Este é um equívoco que vem se espalhando continuamente desde que o Professor Harald Sioli, disse em uma conferência que a Amazônia poderia ser vista como um pulmão em sentido inverso.

Ou seja, capaz de absorver gás carbônico mais do que produzir oxigênio.

Trata-se, portanto, de uma distorção de uma fala, gerando esse mito que permanece nos discursos de muita gente pelo Brasil afora.

2) A riqueza do solo e, consequentemente, a capacidade de produzir recursos econômicos inesgotáveis

Ao contrário do que muita gente pensa, os ecossistemas amazônicos são frágeis.

E só sobrevivem graças a equilíbrio muito delicado de três elementos-chave, que se articulam simultaneamente: chuva-floresta-solo.

Assim, na Amazônia, não se pode desmatar sem replantar.

Isso porque, em primeiro lugar, a copa das árvores abranda o impacto das fortes chuvas que caem durante quase seis meses por ano na região.

Logo, se os solos estiverem descobertos não são capazes de resistir às intensas e constantes chuvas.

Assim, as chuvas “lavariam” os solos, os deixando completamente pobres de nutrientes.

Além disso, em segundo lugar, os solos vivem da biomassa oriunda das árvores e que apodrece sobre eles.

Ou seja, é graças a biomassa que é formada uma importante camada de nutrientes.

Os solos são alimentados, também, pelos nutrientes que escorrem pelos galhos e troncos junto com as águas.

E o terceiro motivo é por causa do regime de chuvas amazônico, que depende da evaporação da floresta.

E portanto, sem as árvores o ecossistema se desequilibra, se desorganiza, empobrece rapidamente e entra em crise.

Assim, a Amazônia precisa do ciclo chuva-floresta-solo-floresta-chuva, no qual cada um dos três é indispensável e insubstituível.

3)  A percepção de que a floresta é rica em produtos madeireiros

Na verdade, o que se pode extrair de madeira para fins econômicos se aproxima dos seis metros cúbicos por hectare.

Assim, retirando a cobertura florestal, perde-se não apenas a floresta, mas o solo e a fauna nele existentes.

E também pelas razões que já explicamos no item anterior, com o solo pobre não é possível crescer novas árvores.

Então, além do que se aproveita da madeira não ser muito, não é uma atividade sustentável.

Em pouquíssimo tempo não resta nada.

Por outro lado, existem muitas verdades sobre a floresta

E que não se mostraram capazes de despertar a consciência nacional, como por exemplo:

1) ela possui a maior biodiversidade do planeta;

2) possui mais de cinco mil espécies de uso medicinal;

3) possui um banco genético com mais de dois milhões de microrganismos;

4) um potencial mineral ainda não determinado em sua totalidade;

5) um potencial hídrico capaz de gerar 100 gigawatts de energia elétrica.

Mas e eu com isso?

Planos do governo sugerem claramente que a mata nativa deve ser substituída por empreendimentos mais “modernos”, mais “racionais” e mais “rentáveis”.

Mas como essas decisões impactam na vida de todos, perto ou não da Amazônia?

A região Amazônica tem um papel preponderante no uso múltiplo dos recursos hídricos (água potável, navegabilidade, aproveitamento energético, pesca, lazer, etc).

Além disso, a região Amazônica concentra 20% da água doce do planeta.

Sem a floresta, os processos de precipitação na América do Sul ficam comprometidas.

Ou seja, terão menos chuvas, e consequentemente menos água potável disponível, já que não haverá recarga dos aquíferos.

Além disso, as florestas da Amazônia funcionam como grandes armazéns de carbono, o qual se encontra estocado nos tecidos vegetais.

Quando a floresta é derrubada e queimada, este carbono é liberado para a atmosfera.

O que contribui para o aumento da temperatura da Terra devido ao efeito estufa (0,7º C no último século).

Assim, com as mudanças do clima, mais quente e menos chuva, certamente haverá dificuldades nas safras agrícolas.

E isso refletirá no seu bolso!

Com poucas safras ou poucos produtos por safra, o preço da maioria dos alimentos irão aumentar consideravelmente.

Além disso, os efeitos climáticos podem piorar o aumento do nível do mar, o que poderia inundar as cidades litorâneas.

Um outro fator que impacta sua vida é em termos de biodiversidade e tecnologia.

A floresta Amazônica contém mais da metade da