Uma outra doença viral que se tornou uma epidemia e uma grande preocupação é o Zika vírus.

Você sabe da onde surgiu?

O zika vírus foi isolado pela primeira vez a partir do soro de macacos da floresta Zika, na Uganda, em 1947.

E por esse motivo foi nomeado como “zika”.

Apenas em 1954 foi identificado o primeiro caso humano na Nigéria.

Evidências de infecção humana também foram relatada em outros países africanos, como Uganda, Tanzânia, Egito, República Centro Africana, Serra Leoa e Gabão e em partes da Ásia como Índia, Malásia, Filipinas, Tailândia, Vietnã e Indonésia.

Em 2007, ocorreu um surto na ilha Yap, dos Estados Federados da Micronésia no Pacífico.

Foi a primeira transmissão documentada fora da tradicional área endêmica na África e Ásia.

Na Europa, o primeiro caso confirmado laboratorialmente ocorreu no ano de 2013, em Hamburgo, na Alemanha.

Um alemão havia viajado para a Tailândia, e lá adquiriu a doença.
Zika Mapa
Em fevereiro de 2015, na Bahia e em São Paulo, a circulação da doença causada pelo Zika vírus foi confirmada pelo uso de métodos moleculares.

E, posteriormente, no Rio Grande do Norte, Alagoas, Maranhão, Pará e Rio de Janeiro.

O que mostrou uma capacidade de dispersão impressionante, somente vista no Chikungunya nos últimos dois anos nas Américas.

Na Polinésia Francesa e no Brasil, quadros mais severos, incluindo comprometimento do sistema nervoso central (síndrome de Guillain-Barré, mielite transversa e meningite), associados ao Zika vírus têm sido comumente registrados, o que mostra quão pouco conhecida ainda é essa doença.

Como é a transmissão e os sintomas do Zika vírus

zika sintomas
O Zika  vírus (ZIKA-V) é um vírus RNA pertencente à família Flaviviridae e causa quadro clínico semelhante à dengue.

O principal modo de transmissão descrito do vírus é pela picada de vetores, tais como pelo mosquito Aedes aegypti.

No entanto, tem-se investigado a possibilidade de ocorrência de transmissão de outras maneiras.

Como por exemplo contato com vírus em laboratório de pesquisa, mães infectadas transmitindo a crianças antes ou após o nascimento e possibilidade de transmissão por transfusão de sangue contaminado.

Os sinais e sintomas mais comuns do Zika vírus são: pele vermelha (pode ser acompanhada de erupções), febre, dor nas articulações, dor muscular, dor de cabeça e conjuntivite.

Ocasionalmente podem ocorrer edema (acumulo de liquido nos tecidos), dor de garganta, tosse, vômitos e diarreia.

Os sinais e sintomas são autolimitados com duração de 3 a 7 dias.

E apesar de ser uma infecção viral considerada leve e, na maioria dos casos, assintomática, o Zika vírus tem sido associados a casos mais graves como microcefalia e a síndrome de Guillian-Barré.

Pois houve aumento dos casos dessas doenças de maneira muito rápida em regiões onde casos de Zika vírus foram registrados.

E como é o tratamento?

Não há vacina ou tratamento específico para o Zika vírus.

Tem-se adotado o tratamento parecido com o da dengue clássica.

Que, portanto,  inclui a ingestão de grande quantidade de líquido, indispensável para combater a desidratação.

Procure assistência médica em qualquer suspeita de infecção.

Quando suspeitar

Ainda estão buscando os critérios de definição de casos suspeitos, assim como os protocolos de atendimento.

Os critérios utilizados até agora foram:

Presença de exantema e febre baixa ou afebril em pacientes com quadros clínicos que não se enquadram nas definições de dengue, chikungunya, sarampo e rubéola;

Ou vínculo epidemiológico com outros casos suspeitos.

A síndrome de Guillain-Barré

SGB zika
A síndrome de Guillain-Barré (SGB) é uma condição neurológica de natureza autoimune.

Na qual o nosso organismo produz, de forma anormal, anticorpos que atacam o envoltório natural dos nervos periféricos (a chamada bainha de mielina).

Isso faz com que o impulso nervoso seja transmitido de forma extremamente lenta através destes nervos.

A doença tem início agudo (em horas ou dias) e se caracteriza por uma fraqueza muscular ascendente (começando nas pernas e subindo para os braços).

Esta fraqueza é variável, podendo se caracterizar por uma leve incapacidade de movimentação.

Ou até a completa e total paralisia dos membros, da face, da musculatura da deglutição, da fonação e dos músculos respiratórios.

A SGB pode ser consequência de várias causas (infecções virais diversas, infecções bacterianas, vacinações, cirurgias, anestesias, traumas, etc.).

Aproximadamente 2/3 dos pacientes descrevem alguma infecção prévia (respiratória ou gastrointestinal) que antecede o início do quadro neurológico.

A SGB foi associada ao zika vírus pela decorrência de que muitas das pessoas diagnosticadas com a doença apresentavam o histórico da doença infecciosa e pela influência do Zika vírus no sistema nervoso.

Mas pouco se sabe ainda sobre essa relação.

Microcefalia

microcefalia zika
Muito se tem discutido sobre os casos de microcefalia supostamente causados por Zika vírus.

Ainda se tem poucas informações a respeito e várias pesquisas estão sendo desenvolvidas.

A microcefalia é uma doença, de diversas causas, em que a criança nasce com o tamanho da cabeça menor que o normal, e acarreta problemas no desenvolvimento.

A microcefalia não tem uma única causa.

Os vírus, de uma forma geral, podem causar microcefalia.

O que se mais conhece é o vírus da rubéola, um dos mais antigos e que, no Brasil, já está erradicado.

Vírus como o citomegalovírus (que parece uma gripe para a mãe), o herpes vírus, a toxoplasmose, alguns estágios da sífilis (menos frequentemente) também podem causar microcefalia.

Assim como outros quadros infecciosos que alteram o metabolismo do bebê, além da própria causa genética.

Por que então, o zika vírus foi associado como também causador de microcefalia?

Por causa de um surto de muitos casos em um curto espaço de tempo, ocorrendo simultaneamente em diferentes cidades e estados.

Além da microcefalia, exames de imagem apresentaram algumas características comuns, tais como: periventriculares e microcalcificações corticais, cerebelar vérnix hipoplasia.

E em alguns casos, lissencefalia compatível com o padrão de infecções congênitas.

Além disso, doenças associadas à TORCH (toxoplasmose, rubéola, citomegalovírus, sífilis, HIV, parvovírus B19, etc.) devido ao padrão de transmissão, não são associado a grandes surtos.

Já investigação no pré-natal e perinatal foram negativo para infecções TORCH.

E a maioria das mães (70%) relataram sintomas compatíveis ao Zika no primeiro trimestre da gravidez.

Justamente o período em que o surto Zika vírus ocorreu no região.

O Zika vírus tem um neurotropismo (influência no sistema nervoso) maior do que outros arbovírus.

E outros arbovírus como por exemplo a dengue ou Chikungunya não estão associados a congênita malformações.

Como evitar o Zika vírus e quais as medidas de prevenção e controle?

As medidas de prevenção e controle são semelhantes às da dengue e chikungunya.

Ou seja, é necessário fazer o controle do vetor.

Elimine recipientes que possam acumular água parada e servir de criadouro para o mosquito.

Além disso, utilize  roupas que minimizem a exposição da pele durante o dia quando os mosquitos são mais ativos.

Essa ação pode ser adotada principalmente durante surtos, além do uso repelentes na pele exposta ou nas roupas.

Cartilhas sobre o Zika vírus tem sido desenvolvidas para divulgar informações importantes.

Uma cartilha para grávidas tem sido desenvolvida pelo Hospital das Clínicas da FMRP-USP, e a agência nacional de saúde disponibiliza uma cartilha para o publico geral.

Elas podem ser acessadas aqui e aqui.